Como tudo começou…

Confesso que cozinhar nunca foi das minhas maiores paixões.

Sempre tive quem fizesse a comida em casa, e a falta de interesse, ou mesmo de necessidade, nunca me despertou o desejo da arte culinária, de elaborar pratos diferentes ou mesmo de fazer qualquer coisa para os outros apreciarem.

Algumas poucas vezes, aventurava-me em coisas básicas como um arroz ou macarrão para completar o almoço do fim-de-semana, quando não tinha ninguém que fizesse. As sobremesas, das vezes que fiz, a maioria eram mousses de frutas ácidas, porque nada mais fácil, prático e rápido de fazer do que isso!!! Era só bater no liquidificador, e isso eu podia fazer! (rsrsrs).

As minhas frustradas tentativas de fazer um bolo acabaram por me desencorajar um bocado!

Meu irmão não perdia a oportunidade de completar: só pra gastar ingredientes…. já não sabe que vai solar? E quando eu achava que estava lindo o bolo, bem grande, de repente ele começava a murchar… e a murchar… e ficava quase uma sola de sapato.

Ainda assim, todos nós comíamos, claro, afinal, com tanta gente no mundo a passar fome, desperdiçar comida era um crime!

Depois de muitas e muitas tentativas, com manteiga fria ou a temperatura ambiente, farinha com e sem fermento, ovos batidos por inteiro ou com as claras em neve, acabei por desistir da minha vida de “boleira”, pois não importava a forma como eu fizesse, ao fim, o bolo sempre saía solado.

Outro fator que nunca me motivou muito é que todos esses doces, bolos e sobremesas sempre são muito gordos e eu não podia abusar pois sempre tive que controlar o peso.

Assim, terminei mesmo por desistir e me contentar com um mousse ou outro em fim-de-semana que tivesse alguma festa em casa.

Finalmente, em 2009, quando vim morar em Portugal, não me restou muita hipótese que não fosse cozinhar. Afinal, já não tinha quem fizesse minha comida e comer todos os dias na rua estava fora de questão. Comecei então a fazer o básico, só pra mim, um arroz ou feijão, um macarrão vez por outra.

De carnes, só fazia frango ou carne moída porque era mais fácil.

O frango, eu já comprava os peitos limpinhos e era só grelhar, ou a carne, já comprava moída, congelada.

Em pouco tempo, casei-me, e agora, já éramos dois para comer!

Continuava no arroz com feijão e frango grelhado. Até porque meu marido basicamente SÓ comia frango! Não gostava de NADA do mar e carne, também não tínhamos muito hábito de comprar.

Aos poucos comecei a ver uma receita ou outra, e me aventurava a tentar. E não é que depois ficava bom? O marido sempre elogiava bastante e isso me incentivava a continuar.

Não dizem que as mulheres seguram os maridos pelo estômago? Pois então… comecei a levar isso a sério. (rsrs)

Um dia era um strogonoff de frango, num outro um empadão de carne, depois uma lasanha, e o marido a gostar cada vez mais.

Até que nessa brincadeira de comidinha gostosa, acabamos os dois por engordar bastante!

Começamos a nos habituar a pizzas, queijos e vinhos aos fins-de-semana, chocolates, sorvetes, bolachas cobertas com chocolate, enfim, tudo o que se deve evitar para quem quer manter a forma!

Para completar a trágica situação, já em 2011, meus pais vieram nos visitar, e partimos numa viagem rumo à Itália!

O que não podia ser diferente, passamos 12 dias a comer pizza, pizza, lasanha, tagliatelli, pizza, lasanha, pizza, pizza, enfim….. Todos os dias comíamos massa, muitas vezes no almoço E no jantar! Sem contar ainda uma sobremesa de vez em quando.

Resultado? Como não podia ser diferente… 5 quilos a mais! Em 12 dias!!??

Voltamos de viagem e ainda passamos um tempo naquela letargia de que “estamos gordos”, “temos que controlar nossa alimentação”, “precisamos emagrecer”… mas nada fazíamos de concreto para isso.

É certo que eu tentava só fazer arroz integral e feijão, deixando as massas de lado por uns tempos! Eliminamos as pizzas, bolachas, doces, mas ainda não tínhamos começado mesmo uma DIETA!

Passados uns dias, resolvi fazer uma dieta a sério e, obviamente, precisava de companhia!

Iríamos entrar então os dois em dieta!

No começo, precisava de um empurrãozinho.

Comprei então uns comprimidos à base de quitosano, para reduzir a absorção de gorduras, um shake para substituir refeição e um chá drenante, para tomar ao longo do dia e ajudar a eliminar os líquidos em excesso. Fizemos tudo de uma só vez! E eu dizia a mim mesma: “dessa vez eu emagreço! Não é possível que com tudo isso junto eu não consiga perder peso!”.

E foi funcionando!

Nós dois na dieta, uma a incentivar o outro, um a proibir o outro das escapadinhas, um a controlar o outro… Graças a Deus, meu marido é bastante “obediente”, neste sentido, o que ajudou bastante! 😀

Junto com todas essas “medidas” emergenciais, fomos mudando também nossa alimentação e nossos hábitos e começamos a ter resultado!

A cada semana diminuíamos 1kg e era a maior alegria quando subíamos na balança para ver como estávamos. Sempre um pouquinho a menos e subíamos todo dia, quase toda hora, a comparar as flutuações de peso ao longo do dia.

Chegamos a perceber que podemos variar 1kg ao longo do dia, que é normal!

À medida que nossos suplementos iam acabando, nós já não compramos mais outros recursos e demos continuidade ao nosso “projeto” por conta própria.

Foi então que passamos numa livraria e vi uns livros de receitas.

Entretanto, logo desanimei, porque só encontrava livros com receitas muito calóricas, e estávamos de dieta. Procurei então por algum exemplar com receitas light, mas não achei nenhum.

Para minha agradável surpresa, logo fui apresentada a um título que muito chamou minha atenção “Cozinha Saudável: como cozinhar sem gorduras” e, sem muito hesitar, em poucos minutos já estava eu a caminho de casa, louca para aprender alguns segredinhos culinários.

Ao chegar em casa, devorei o livro inteiro!

Além de receitas praticamente sem gorduras, o livro ainda tinha várias dicas de como cozinhar sem gorduras, o que podemos substituir, como fazer infusões aromáticas para dar sabor aos alimentos sem necessitar da gordura nem cair naquela monotonia alimentar insípida de comida de regime!

De início não gostei muito das receitas… muitos ingredientes que não tínhamos o hábito de comer e pratos que pareciam dar um pouco de trabalho.

Mas encontrei ânimo e resolvi experimentar!

Fui ao supermercado e comprei uma listinha de coisas que precisaria para os próximos dias: especiarias, como açafrão, páprika, pimentão moído, noz moscada, cominhos, etc… e haja vidrinhos!

Comprei também alguns legumes, para fazer meu próprio caldo culinário, para deixar de usar aqueles cubinhos prontos que eu tanto adorava, mas ricos em gordura hidrogenada, conservantes e sal!

Resolvi fazer uma receita de lasanha que, de acordo com o livro, tinha menos da metade das calorias de uma lasanha comum e praticamente sem gordura nenhuma!

Disse ao marido que não era para ele ver os ingredientes nem a forma de fazer, para que não rejeitasse sem nem mesmo provar!

Que esperasse ficar pronto e experimentaríamos juntos. Afinal, se não gostássemos ficaríamos com fome, porque não havia um plano B! Era a lasanha ou a lasanha!

Depois de pronta, fomos finalmente experimentar e aprovamo-la!

Consistente, leve, comemos um bocado e não ficamos com aquela sensação de estufados como normalmente ficamos quando comemos muita massa e muito queijo, com o estômago pesado.

Aprovada a lasanha, vi uma receita de sorvete de fruta, para se fazer em casa, também super leve, e aproveitei pra fazer.

Ótimo resultado! Fácil de fazer, rápido e sem os conservantes dos comprados pronto.

Assim, depois desses estímulos, comecei então a pesquisar na Internet receitas light! E achei receitas de doces com açúcar light, que é a mistura de açúcar com adoçante. A versão light é duas vezes mais doce do que a versão normal, reduzindo assim o consumo à metade e, consequentemente, as calorias.

Além disso, comecei a pesquisar receita de coisas que já tínhamos o hábito de comer, mas para fazer em casa e nos livrarmos dos conservantes dos alimentos industrializados.

Vi então uma receita de barrinha de cereal feita em casa, o que seria ótimo, pois sempre compramos e comemos no lanche da manhã ou da tarde.

O melhor? A receita era feita com açúcar light! Ainda menos calorias.

Comprei um açúcar light, fiz as barrinhas e deixei em casa para o marido experimentar.

Algum tempo depois (eu tinha saído de casa), recebo uma ligação e só ouço o comentário do outro lado da linha: “Mas que barrinha gostosa é essa, hein? Está uma delícia!” e eu fiquei então toda a sorrisos! 😀

Levei também para umas duas amigas experimentarem e ambas disseram o mesmo, que estava muito gostosa, melhor do que as compradas prontas!

Uma delas até chegou a dizer que eu levava jeito na cozinha e que devia investir mais nisso!

Falei então que ia pensar com carinho no assunto (rsrsrs).

Hoje, vi uma receita de um Bolo de Cenoura light com cobertura de chocolate (também light) e resolvi fazer. Passados meus traumas com bolos, como já dito anteriormente, fiz a receita e dei ao marido para levar umas fatias para os colegas do trabalho.

Alguns minutos depois ele liga a dizer que uma colega queria a receita, porque tinha adorado o bolo! 😀

Portanto, depois de todas estas experiências um tanto quanto conturbadas, acabei por me empolgar com a arte culinária e a ter vontade de fazer cada vez mais coisas diferentes e, preferencialmente, LIGHT!

Resolvi então escrever esse blog, para compartilhar as receitas!

Quem sabe um dia ainda não vira um livro (rsrsrs)

Beijinhos a todos e acompanhem com carinho.

Anúncios
3 Responses “Como tudo começou…” →
  1. Assim começam os grandes gourmets, pela necessidade de mudança interior. Chega longe menina!!!

    Responder

  2. Rosie S.

    11/10/2015

    Adorei suas receitas e a forma simples de fazer. Tinha tentado fazer um bolo com baixo teor de gordura, mas ficou seco e “borrachudo”. Vou tentar fazer o bolo de banana que me pareceu apetitoso. Depois conto o resultado.

    Responder
    • Obrigada pela visita! Realmente não tenho muita paciência para passar horas na cozinha e por isso sempre procuro receitas simples e rápidas. Se diminuir muito a gordura do bolo ele fica realmente seco. Experimente bater bastante o ovo antes de misturar os demais ingredientes, e depois de colocar a farinha e o fermento só misturar de leve até homogeneizar pois se bater muito pode comprometer o crescimento do bolo. Depois me conta se deu certo! No facebook tem mais dicas e receitas que o blog pois ando muito sumida aqui. Nem todas são tão leves, tem algumas gordices tb 🙂 Curta lá nossa fã page! Abraços.

      Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: